Comece pela data e pela lista de ideias
Escreva a data da prova no topo de uma página e conte quantas semanas você tem pela frente. Depois, divida o conteúdo em ideias, não em números de página. Uma ideia é algo que você consegue repetir em uma frase, a definição de uma palavra, uma fórmula, uma data, uma etapa de um mecanismo. Essa divisão é mais útil que um plano por capítulo, porque depois você vai poder se testar ideia por ideia.
Separe em três montes, as que você já sabe um pouco, as que são novas, as que te assustam. Não perca muito tempo ordenando tudo com perfeição. Para vestibulares, provas finais ou o SAT, o conteúdo costuma ser enorme. Um cronograma simples que você segue vale mais que um quadro bonito que você abandona depois de três dias. Deixe espaço para o imprevisto, uma aula perdida, uma gripe, uma semana extra de trabalhos.
Nas primeiras semanas, aprenda e depois se teste
Nas primeiras semanas, cada ideia passa por uma primeira sessão séria. Rawson e Dunlosky testaram 533 estudantes e mais de 100.000 respostas corrigidas à mão. O conselho deles é para essa primeira sessão, recordar cada ideia corretamente 3 vezes (Rawson e Dunlosky, 2011). Na prática, você lê a ideia, esconde, repete em voz alta. Se errar, olha, recomeça, até acertar.
Se testar não é um extra que entra no fim. Dunlosky e colegas colocam o teste prático entre as duas técnicas de alta utilidade, junto com a distribuição dos estudos, enquanto a releitura fica com baixa utilidade (Dunlosky et al., 2013). Karpicke e Roediger mostraram, com vocabulário, que retestar uma palavra já sabida tem um efeito positivo grande na lembrança adiada, ao contrário de estudá-la de novo (Karpicke e Roediger, 2008). Suas primeiras semanas servem, então, para fixar as ideias com perguntas, não com releituras seguidas do caderno.
Nas semanas seguintes, volte em intervalos cada vez maiores
Depois que as ideias estão aprendidas, você volta a elas em intervalos espaçados. A regra de Cepeda e colegas é calcular o intervalo como uma fração do tempo que falta para a prova. Com uma prova daqui a uma semana, o melhor intervalo é de cerca de 20 a 40% desse tempo. Com uma prova daqui a um ano, cai para cerca de 5 a 10% (Cepeda et al., 2008). Exemplo prático, prova daqui a 10 dias, volte às ideias de 2 a 4 dias depois da primeira sessão.
Para um prazo distante, por exemplo uma prova final no fim do semestre, o plano é simples. Você aprende uma parte do conteúdo por semana e depois volta às partes anteriores em intervalos cada vez maiores. Rawson e Dunlosky falam de reaprender 3 vezes em intervalos bem espaçados (Rawson e Dunlosky, 2011). Em uma tabela, você anota para cada ideia a data da última sessão. Não precisa de ferramenta sofisticada. Uma folha com quatro colunas basta.
A última semana e a véspera
Quanto mais perto a prova, mais curtos os intervalos, já que eles são uma fração do tempo que resta (Cepeda et al., 2008). A última semana serve, então, para revisar principalmente as ideias que você ainda erra. Não refaça tudo em ordem. Comece pelas que falharam na última sessão e só depois passe rápido pelas que você acertou.
Na véspera, planeje uma última passada leve e reserve tempo para dormir. O sono participa da consolidação das memórias (Rasch e Born, 2013), então não é tempo perdido. Evite a armadilha de fazer mais em cima da hora. Kornell descobriu que o espaçamento venceu a maratona da véspera para 90% dos participantes, mesmo que a maioria pensasse o contrário (Kornell, 2009). Se seu cronograma está bem feito, a véspera é para conferir, não para aprender. Você também pode reler sua lista de ideias e marcar as que tem certeza de que conseguiria explicar sem consultar nada.
Perguntas frequentes
- Quanto tempo antes da prova devo começar a estudar?
- O quanto antes, porque os melhores intervalos crescem com o tempo disponível. Os estudos de Cepeda testaram intervalos de até 3,5 meses e um teste final até um ano depois (Cepeda et al., 2008).
- E se eu fiquei atrasado no meu cronograma?
- Não tente recuperar tudo de uma vez. Mantenha a ideia do espaçamento e recalcule os intervalos com o tempo que resta, como uma fração do prazo (Cepeda et al., 2008).
- Meu cronograma deve incluir releitura ou testes?
- Testes. A revisão de Dunlosky e colegas classifica o teste prático e a distribuição dos estudos como alta utilidade, e a releitura como baixa utilidade (Dunlosky et al., 2013).

Lumi guarda esse cronograma para você. Ele esquece com o tempo como um cérebro de verdade e volta a uma ideia no momento certo, sem você precisar anotar datas. Uma estrela acende no céu do conhecimento quando uma ideia foi retida três vezes, em dias diferentes. Na véspera de uma prova, a Névoa sobe sobre o céu, e cada resposta certa a empurra para trás. Lumi simplesmente facilita voltar com regularidade.
Fontes
- Cepeda, Vul, Rohrer, Wixted, Pashler (2008). Spacing effects in learning. A temporal ridgeline of optimal retention. Psychological Science, 19(11). doi.org/10.1111/j.1467-9280.2008.02209.x
- Rawson, Dunlosky (2011). Optimizing schedules of retrieval practice for durable and efficient learning. How much is enough?. Journal of Experimental Psychology. General, 140(3). doi.org/10.1037/a0023956
- Dunlosky, Rawson, Marsh, Nathan, Willingham (2013). Improving students' learning with effective learning techniques. Psychological Science in the Public Interest, 14(1). doi.org/10.1177/1529100612453266
- Karpicke, Roediger (2008). The critical importance of retrieval for learning. Science, 319(5865). doi.org/10.1126/science.1152408
- Kornell (2009). Optimising learning using flashcards. Spacing is more effective than cramming. Applied Cognitive Psychology, 23(9). doi.org/10.1002/acp.1537
- Rasch, Born (2013). About sleep's role in memory. Physiological Reviews, 93(2). doi.org/10.1152/physrev.00032.2012


